Pãezinhos Achatados de Arroz e Curcuma

Em criança não era muito dada a culinária… Lembro-me de ajudar a minha mãe a lavar o arroz ou a minha avó a fazer um bolo. Mas não passava muito disso. Quis o destino que o gosto pela cozinha se fosse desenvolvendo e agora posso dizer que é das coisas que mais gosto de fazer. Para mim é uma espécie de terapia, quase uma meditação. Quando estou a cozinhar as horas passam e eu nem dou por isso. Durante a semana faço apenas o essencial, pratos rápidos e simples pois o tempo não é muito. Mas ao fim de semana a minha criatividade culinária atinge o expoente máximo! É requisito obrigatório reservar sempre um bocadinho para as minhas experiências. Acreditam que até sonho com algumas receitas? E fico em pulgas para as pôr em prática! 🙂

Os pãezinhos que vos trago hoje foram imaginados num desses sonhos… Costumo comprar um pão de arroz no Celeiro de que gosto bastanto e já há algum tempo que me passava pela cabeça como é que seria feito. É um pão redondo de arroz integral, não fermentado, que fica húmido por dentro. Gosto de o abrir e rechear com os meus ingredientes favoritos (tipo pão pita). Ora resolvi imitar esse pão mas em versão mini e juntando curcuma para lhe aumentar a piada e o valor nutricional. E não é que ficaram ótimos? São um snack muito agradável, nutritivo e saciante. Com o poder milagroso da curcuma…

A curcuma é da família do gengibre e é uma planta usada pela medicina Ayervédica pelas suas magnifícas propriedades curativas. O seu ingrediente activo principal, a curcumina, é um anti tudo e mais alguma coisa: antioxidante, anti-inflamatório, anti-cancerígeno, anti-bacteriano, anti-fúngico e anti-viral, só para mencionar alguns. Ajuda o sangue, fígado, coração, articulações, sistema imunitário, sistema digestivo e até o cérebro.  A utilização de curcuma tem mostrado reduzir a inflamação celular e o stress oxidativo, ajudando a combater as doenças degenerativas.

Há muita gente que confunde curcuma com acafrão mas são especiarias diferentes. A curcuma é de cor amarela e também é chamada de Açafrão das Índias (Turmeric em inglês). O açafrão é de cor avermelhada e é bem mais raro e difícil de encontrar (para além de ser demasiado dispendioso para a carteira do comum dos mortais 🙂 ).

Uma dica interessante: juntar curcuma à pimenta preta permite potenciar largamente os efeitos da curcuma. A pimenta preta tem um ingrediente activo chamado piperina que faz aumentar a biodisponibilidade das outras substâncias, permitindo que estas permaneçam por mais tempo activas no corpo. A piperina consegue assim aumentar até 20 vezes a biodisponibilidade da curcumina, além de ter também efeitos benéficos a nível gastrointestinal e cerebral. Se sozinha a curcuma já era fantástica,aliada à pimenta preta formam uma dupla imbatível! Infelizmente não sou muito dada a sabores picantes e não gosto muito de pimenta mas, se tiverem a sorte de gostar, podem adicionar uma colher a estes pãezinhos e torná-los ainda mais saudáveis.

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Panquecas Simples

Desde que eliminei o glúten da minha alimentação que tenho comido muito menos pão. É uma evolução natural, acho… Porque o pão (saudável) sem glúten não se encontra facilmente à venda e quando se encontra é bastante caro, não podendo ser uma alternativa para todos os dias, pelo menos nas quantidades a que eu estava habituada. O que até tem sido bom, sinto-me bastante bem comendo menos pão, fiquei com a barriga mais lisa e sem sensações de inchaço abdominal.

Ainda faço pão sem glúten em casa mas encontrei nas panquecas uma excelente alternativa ao pão para o pequeno-almoço. De vez em quando inovo e experimento receitas de panquecas ligeiramente diferentes e mais complexas, mas para o dia-a-dia preciso de uma coisa simples, que se faça rapidamente e que não use varinha mágica ou liquidificador. Depois de várias experiências cheguei a esta receita de panquecas que me enche as medidas. Ficam fofinhas e com um sabor muito agradável. Costumo acompanhá-las com manteiga de amêndoa, uma dupla imbatível!

Normalmente faço em quantidade ao fim de semana e depois congelo. É muito prático e as panquecas ficam ótimas na mesma. Quando quero comer tiro de véspera e aqueço ligeiramente no micro-ondas. Uma ótima sugestão para as crianças, a princesa da casa é fã e está sempre a pedir-me estas panquecas! 🙂

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Arroz Doce Vegan – Christmas Veggie Challenge

O Arroz Doce é uma das minhas sobremesas preferidas de Natal e por isso esta foi a minha escolha vegan para participar no desafio Christmas Veggie Challenge, de que falei aqui. O meu objetivo foi conseguir uma versão de Arroz Doce sem qualquer produto de origem animal e mais saudável que o tradicional. Assim, substituí o arroz branco por arroz integral (mais fibra e nutrientes), usei geleia de arroz para adoçar (nada de açúcares refinados) e para conseguir aquela corzinha amarela optei por usar açafrão. E como a tradição já não é o que era, nada como inovar mais um bocadinho e substituir a canela por baunilha. O resultado? Aprovadíssimo! Saiu um Arroz Doce cremoso e muito aromático. Vou até confidenciar uma coisa, foi uma sobremesa de Natal feita por mim e para mim, uma espécie de prenda pessoal que foi saboreada bem devagarinho, apreciando cada colherada…

O engraçado do Arroz Doce na sua versão saudável é que tanto pode ser comido à sobremesa como pode ser um magnífico pequeno-almoço. Sim, é verdade! Se sobrar algum basta acrescentar um bocadinho mais de leite, mexer e aquecer, e colocar alguns toppings como sementes, fruta fresca ou manteiga de amêndoa. Posso dizer-vos que fica divinal, é uma espécie de papa de arroz (uma boa alternativa às papas de aveia). Não acreditam? Nada como experimentar…

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Arroz de Vegetais e Alga Arame

Para além de ter uma costela alentejana, que me faz adorar pão, acho que devo ter também qualquer costela asiática porque decididamente adoro arroz. De qualquer tipo, cozinhado de qualquer forma, simples ou misturado com outros ingredientes.

Quando descobri o arroz integral, ainda nos tempos de faculdade quando ia à cantina macrobiótica do ISCTE, fiquei viciada mas as minhas tentativas de reproduzir o mesmo em casa nunca tiveram muito sucesso (o arroz ou ficava mal cozido ou empapado). Só há bem pouco tempo é que percebi que a Bimby me podia ajudar muito nesta tarefa. Consigo fazer um arroz integral muito saboroso, no ponto (ver receita aqui). Desde então que tenho sempre arroz integral guardado em caixinhas, no congelador, as quais vou usando à medida que me apetece.

E numa dessas vezes apeteceu-me inventar um arroz de algas. Que estranho, devem estar a pensar… As algas podem não ser vistas por muita gente como um alimento mas já são consumidas pela cultura oriental há muito tempo. E são MUITO saudáveis!

Aqui ficam os principais benefícios das algas na alimentação:

– São ricas em minerais como cálcio, magnésio, ferro, fósforo e oligoelementos como iodo, silício, zinco, manganésio, cobre e selénio.
– São fontes de vitaminas B1, B2, E e niacina, contendo todos os aminoácidos essenciais e 9 aminoácidos não essenciais.
– São ricas em fibras e proteína.
– São saciantes, sendo muito úteis em dietas de emagrecimento.
– Ativam o funcionamento intestinal, limpam o organismo de toxinas e ajudam a diminuir o colesterol.
– Fortalecem os ossos, cabelos e unhas.
– Eliminam fungos do organismo.

Há algas de vários tipos, que podem ser usadas em diversas preparações culinárias. Estas são as minhas prediletas:

Kombu: Para cozinhar com as leguminosas (aumenta a sua digestibilidade) e na sopa (aumenta o teor de minerais)
Arame: Nos pratos de arroz e vegetais
Ágar-Ágar: Para fazer gelatinas, doces, iogurtes e espessar molhos (atua como solidificante)

Mas a variedade não acaba por ai. Há ainda outros tipos de algas como wakame, hijiki ou nori (usada no sushi)… Podem fazer uma visita atenta ao supermercado e de certeza que vão encontrar (atualmente já existe à venda em qualquer supermercado, na zona de produtos saudáveis).

As algas são muito fáceis de usar, basta ficarem de molho cerca de 10 minutos e depois podem ser cozinhadas normalmente com os restantes alimentos.

Apenas umas nota, o consumo de algas em excesso é contra-indicado para quem sofre de hipertensão (por terem um elevado teor de sódio) e hipertiroidismo.

Bom, mas voltemos a este arroz. Só posso dizer que ficou maravilhoso! E foi tão fácil de fazer… Bastaram alguns minutos para ter uma refeição saciante, deliciosa e muito saudável. E ainda dizem que comer bem é complicado… 🙂  Experimentem e digam-me o que acharam.

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Pão de Arroz e Trigo Sarraceno (Sem Glúten)

E eis que, como que por magia, 2015 está quase a acabar…

Nesta altura dou por mim a rever o ano que passou, as coisas que correram bem e as que podiam ter corrido melhor. Mas, mais importante ainda, estabeleço projetos para o ano que se avizinha. Eu sonho muito, tenho sempre imensas coisas que gostava de fazer, imensas coisas que gostava de melhorar em mim. Este ano vou escrevâ-las num caderninho… Escrever as coisas faz parecê-las mais possíveis, mais reais, dá-nos coragem para não desistir. Não querem seguir-me o exemplo?

Que o vosso ano de 2016 seja o melhor de sempre! Sorriam, abracem, agradeçam, pensem positivo, corram atrás dos vosso sonhos. E sejam muito felizes!

Hoje não podia deixar de publicar esta receita, que foi para mim uma grande conquista de 2015. Fazer um pão sem glúten comestível e já agora saboroso era um desafio pessoal. Não sou intolerante ao glúten mas, como já aqui disse, sinto que sou bastante sensível a esta proteína, sinto-me muito melhor se não abusar de pães, bolachas ou massas com glúten. As massas vou variando entre as de trigo integral, as de espelta e as de milho. Em relação às bolachas, faço muitas receitas sem glúten e saem bastante bem. Mas o pão estava a dar-me luta… E o pão é aquele alimento que eu adoro!

Depois de muitas tentativas falhadas posso dizer que CONSEGUI!!!! Fiquei tão feliz… Inspirei-me nesta receita da Sofia e o pão saiu muito melhor do que alguma vez podia imaginar. Não é um pão alto, fofinho, como os pães com glúten, mas é muito saboroso. A codea é crocante e as sementes no interior tornam-no ainda mais nutritivo. Lembrei-me de usar o trigo sarraceno que tinha na despensa e resultou bastante bem.

Já agora, para quem não saiba, o trigo sarraceno é um cereal isento de glúten (apesar de ter trigo no nome), sendo uma boa opção para pessoas que possuam sensibilidade ao glúten ou doença celíaca. É uma excelente fonte de proteínas de fácil digestão.Tem baixo índice glicémico (mantém os níveis de açúcar no sangue mais baixos do que o arroz ou o trigo) e é uma poderosa fonte de energia. Ajuda a prevenir doenças cardiovasculares, possui propriedades anti-inflamatórias e contribui para manter um baixo nível de colesterol, entre outros benefícios.

Pode ser consumido em grão, cozido como o arroz, ou em farinha nos pães e em bolos.

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Grânola de Seis Cereais

Gosto muito de grânola de cereais para adicionar ao iogurte juntamente com fruta. Dá aquele toque crocante… As grânolas que se compram nos supermercados e mesmo no Celeiro têm na sua maioria muito açúcar e por isso aventurei-me a fazer em casa, para experimentar. Ficou boa, embora me tenha esquecido dela no forno e ficou um bocadinho tostada demais. É um ponto a melhorar para a próxima… 🙂

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Barritas de Arroz, Aveia e Maçã Reineta

Mais uma invenção saudável e que, sem muitas expectativas, saiu deliciosa. Tinha feito leite de arroz em casa (ainda ando em experiências), e tinha ficado com as sobras da polpa do arroz integral. Como adoro aproveitar tudo, lembrei-me de fazer umas barritas de arroz. Achei que combinavam bem com aveia, maçã reineta e canela e acertei! Ficaram ótimas, ideais para um lanchinho ou para qualquer altura do dia em que precisamos de comer qualquer coisa que nos conforte.

BarritasArroz2
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Jardineira de Seitan

O seitan é um alimento vegetal feito à base de glúten de trigo. É um alimento muito utilizado na culinária vegetariana como substituto da carne, pelo aspecto, textura e sabor semelhantes. É um alimento rico em proteínas e pobre em gorduras (cerca de 180 g de seitan são suficientes para satisfazer as necessidades proteicas diárias). Pode ser feito em casa mas, apesar de já ter aprendido a fazer, costumo comprar por ser mais rápido.

Esta jardineira é um dos meus pratos preferidos, sai sempre bem. É uma refeição rápida, saborosa e equilibrada. Costumo usar seitan de espelta, é bem mais caro que o seitan de trigo mas a espelta confere a este prato uma maior riqueza nutricional, para além de ser mais fácil de digerir que o trigo (compro no Celeiro).

EstufadoSeitan

Aqui vos deixo a receita.

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