Puré de Millet e Couve-Flor

Uma das coisas que me dá mais gozo na cozinha é inventar receitas e experimentar coisas diferentes. Adoro a sensação de criar pratos pouco comuns, sobretudo quando na hora de provar chego à conclusão que o resultado é maravilhoso! Acho que um dos problemas da alimentação de hoje em dia é que as pessoas se acomodaram aos ingredientes e sabores mais comuns e não se atrevem a mudar. Comem sempre o mesmo, aquilo que sabem que gostam, sem experimentar coisas novas. E muitas só de ouvir a palavra saudável até fogem… acham logo que não vão gostar. Há tantos alimentos fantásticos, tantas formas de cozinhar diferentes… A inovação abre a nossa mente, estimula os sentidos e torna-nos pessoas mais felizes (não só na culinária como na vida).  Felizmente acho que as coisas estão a mudar e a evoluir nesse sentido, o que é muito bom.

Tudo isto para dizer que fiz uma experiência que me correu bastante bem. Adoro purés, sejam eles de legumes, fruta, tubérculos ou cereais. E o puré de batata traz-me boas memórias de infância (graças ao empadão que a minha avó me fazia). Como não sou consumidora de batata, visto ter intolerância a este alimento e também porque não ganho nada com isso em termos nutricionais, evito este puré, mas num momento mais saudosista apeteceu-me recriá-lo usando ingredientes alternativos. E para tal usei o millet… Se estão a estranhar é porque ainda não comprovaram a versatilidade deste cereal. Apesar de se vender em bolinhas (tipo cuscus), quando bem cozido o millet facilmente se transforma em puré. E não é que o sabor, não sendo igual ao do puré de batata, se assemelha bastante? Juntei couve-flor para uma versão ainda mais saudável e menos rica em hidratos e eis que o resultado foi mais do que aprovado. Sem dúvida a repetir! Já disse que adoro esta sensação? 🙂

Se tiverem curiosidade em saber os benefícios do millet para a saúde leiam aqui.

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Mini-Bolos Rei para o Natal

Não posso dizer que sou a maior fã do Natal… E só há bem pouco tempo me apercebi da razão. No meu imaginário, talvez influenciado pelos filmes que via desde criança, o Natal sempre foi sinónimo de casa cheia, união da família, muitas crianças, risos, alegria, afetos. E a minha realidade, fruto de ter pais separados e ser filha única até aos 14 anos, sempre foi bem diferente. Noite de natal para um lado, dia de Natal para o outro. Raramente tinha companhia de outras crianças. E portanto, o Natal a mim sabia-me sempre a separação (e alguma solidão). Nunca conseguia ter toda a gente de quem gostava perto. Para melhorar a situação tenho um marido também com pais separados e por isso atualmente a logística familiar na época natalícia consegue ser ainda mais complexa.  🙂

Mas tento transmitir a magia do natal aos meus filhos, o melhor que consigo. E não só nesta época mas todos os dias. Porque o Natal é aquilo que nós quisermos, quando quisermos…

Este ano aventurei-me no bolo rei para o meu Natal. Em versão mini… 🙂 São bem simples e rápidos de fazer, pois não necessitam de fermentar. Sem glúten nem açúcar adicionado, ficaram muito saborosos e cumpriram as minhas expetativas. Um miminho de mim para mim.

Que este Natal seja Amor, Partilha, União, Amizade, Tolerância, Respeito, Sorrisos, Abraços e Beijos. Que seja tudo aquilo que nos faz sentir bem e felizes.  

FELIZ NATAL!

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Mini-Quiches de Beringela e Cebola Roxa

Andava com vontade de uma quiche, confesso… (e não digo desejos para não lançar boatos infundados sobre um possível bebé a caminho 🙂 ). Desde que deixei de consumir glúten que é raro poder comer quiches fora de casa, não é fácil encontrar locais onde as vendam. Por isso nada como meter literalmente as mãos na massa e inventar uma receita de quiche sem glúten que satisfizesse as minhas papilas gustativas.

Decidi usar as farinhas que tinha em casa e eis que surgiu uma massa simples, boa de trabalhar e que ficou bem saborosa. Em relação ao recheio mais uma vez usei o que andava perdido no frigorífico: meia beringela e um pacote de natas de aveia aberto há uns dias. Ainda juntei cebola roxa para dar mais sabor. E não podia ter ficado mais contente com o resultado! Ficaram mesmo boas…

Em jeito de curiosidade, sabiam que a cebola é um alimento excelente para a saúde? Eleva o bom colesterol, purifica o sangue, ajuda os rins e é útil para combater doenças respiratórias e digestivas. A cebola roxa é ainda rica em antioxidantes e é a minha preferida pelo sabor mais suave e adocidado. É ótima em saladas e assada no forno.

Para estas quiches usei umas formas mini bem engraçadas (comprei aqui) e fiz só duas unidades para testar. Mas podem duplicar a dose e fazer 4 logo de uma vez, para a próxima é o que vou fazer dado o sucesso da experiência.

Algum adepto de quiches e tartes salgadas com uma boa receita sem glúten para partilhar? 🙂

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Maçã Assada à Minha Maneira

No Inverno sabem-me bem sobremesas quentinhas… Sou friorenta e preciso deste aconchego para estar em equilíbrio. Adoro um bom crumble de maçã morno ao lanche, com um chá a acompanhar (para criar o cenário perfeito falta só mesmo o meu sofá, uma mantinha e um filme lamechas na televisão 🙂 ).

Apeteceu-me variar do crumble e desta vez experimentei assar apenas a maçã mas cortada em fatias e envolvida em creme de coco. Juntei limão para um toque de acidez e erva doce para intensificar o sabor. E não é que ficou absolutamente divinal? Decididamente é uma receita para repetir muitas e muitas vezes. Funciona perfeitamente como sobremesa rápida, se tiverem alguém que inesperadamente apareça para jantar, ou como lanche com iogurte natural por cima. Até é ótimo para as crianças levarem na marmita para a escola.

Vamos à receita?

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Pãezinhos Achatados de Arroz e Curcuma

Em criança não era muito dada a culinária… Lembro-me de ajudar a minha mãe a lavar o arroz ou a minha avó a fazer um bolo. Mas não passava muito disso. Quis o destino que o gosto pela cozinha se fosse desenvolvendo e agora posso dizer que é das coisas que mais gosto de fazer. Para mim é uma espécie de terapia, quase uma meditação. Quando estou a cozinhar as horas passam e eu nem dou por isso. Durante a semana faço apenas o essencial, pratos rápidos e simples pois o tempo não é muito. Mas ao fim de semana a minha criatividade culinária atinge o expoente máximo! É requisito obrigatório reservar sempre um bocadinho para as minhas experiências. Acreditam que até sonho com algumas receitas? E fico em pulgas para as pôr em prática! 🙂

Os pãezinhos que vos trago hoje foram imaginados num desses sonhos… Costumo comprar um pão de arroz no Celeiro de que gosto bastanto e já há algum tempo que me passava pela cabeça como é que seria feito. É um pão redondo de arroz integral, não fermentado, que fica húmido por dentro. Gosto de o abrir e rechear com os meus ingredientes favoritos (tipo pão pita). Ora resolvi imitar esse pão mas em versão mini e juntando curcuma para lhe aumentar a piada e o valor nutricional. E não é que ficaram ótimos? São um snack muito agradável, nutritivo e saciante. Com o poder milagroso da curcuma…

A curcuma é da família do gengibre e é uma planta usada pela medicina Ayervédica pelas suas magnifícas propriedades curativas. O seu ingrediente activo principal, a curcumina, é um anti tudo e mais alguma coisa: antioxidante, anti-inflamatório, anti-cancerígeno, anti-bacteriano, anti-fúngico e anti-viral, só para mencionar alguns. Ajuda o sangue, fígado, coração, articulações, sistema imunitário, sistema digestivo e até o cérebro.  A utilização de curcuma tem mostrado reduzir a inflamação celular e o stress oxidativo, ajudando a combater as doenças degenerativas.

Há muita gente que confunde curcuma com acafrão mas são especiarias diferentes. A curcuma é de cor amarela e também é chamada de Açafrão das Índias (Turmeric em inglês). O açafrão é de cor avermelhada e é bem mais raro e difícil de encontrar (para além de ser demasiado dispendioso para a carteira do comum dos mortais 🙂 ).

Uma dica interessante: juntar curcuma à pimenta preta permite potenciar largamente os efeitos da curcuma. A pimenta preta tem um ingrediente activo chamado piperina que faz aumentar a biodisponibilidade das outras substâncias, permitindo que estas permaneçam por mais tempo activas no corpo. A piperina consegue assim aumentar até 20 vezes a biodisponibilidade da curcumina, além de ter também efeitos benéficos a nível gastrointestinal e cerebral. Se sozinha a curcuma já era fantástica,aliada à pimenta preta formam uma dupla imbatível! Infelizmente não sou muito dada a sabores picantes e não gosto muito de pimenta mas, se tiverem a sorte de gostar, podem adicionar uma colher a estes pãezinhos e torná-los ainda mais saudáveis.

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Abóbora Hokkaido no Forno

Ando completamente viciada em abóbora hokkaido… E não é porque estamos em época de Halloween… 🙂 Quando fui almoçar à Quinta do Arneiro experimentei uma abóbora assada MARAVILHOSA e tentei replicar a receita em casa. Bom, não ficou exatamente igual mas ficou muito boa na mesma. E desde então que sempre que vejo as ditas abóboras, nem penso duas vezes e lá vai mais um tabuleiro de abóbora para o forno.

Felizmente esta abóbora é uma alimento cheiro de propriedades benéficas para a nossa saúde (já aqui falei disso).

Acredito na influência dos alimentos que comemos no equilíbrio não só do nosso corpo físico como também do nosso corpo energético. E sabe-se que os alimentos da terra como a abóbora,
a batata, a batata doce e a cenoura, equilibram o chakra da raíz (situado na base da nossa coluna vertebral), que está relacionado com a nossa capacidade de foco e de viver o momento presente. Coincidência ou não, sinto que estou numa fase com os pensamentos a mil e com necessidade de me concentrar e ter os pés bem assentes no chão. Talvez seja por isso que a abóbora anda a fazer-me sentir tão bem…

Esta é uma receita incrivelmente fácil e deliciosa. É uma ótimo acompanhamento para qualquer refeição. Não deixem de experimentar!

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Pãezinhos de Batata Doce, Trigo Sarraceno e Alfarroba

Quem me costuma ler sabe que sou apologista de uma alimentação variada. Variar os alimentos que ingerimos permite não só que a alimentação se torne menos monótona (comer é um prazer, certo?) como também nos ajuda a conseguir mais facilmente todos os nutrientes de que necessitamos e de uma forma mais saudável.

O consumo de cereais não costuma ser muito diversificado, infelizmente. Hoje em dia usa-se e abusa-se do trigo e mesmo quem tem intolerência ou alergia ao glúten ingere arroz branco e milho em demasia. Há todo um mundo de alternativas bem mais saudáveis e nutricionalmente mais interessantes. E, a meu ver, bem mais saborosas. Quinoa, millet, aveia, espelta, trigo sarraceno, são alguns exemplos.

A minha paixão mais recente é o trigo sarraceno. É um hidrato de carbono fantástico, já falei dele aqui. É um ótimo substituto do arroz integral e em termos nutricionais é até superior à quinoa, que ultimamente tem ganho muitos adeptos. É rico em proteína, fibra, aminoácidos essenciais (tem todos), antioxidantes, vitaminas e minerais (destaco o ferro e o magnésio). Ao contrário do que possa parecer pelo nome, é um cereal sem glúten (nada tem a ver com o trigo!), de excelente digestão e baixo índice glicémico (liberta energia de forma lenta e gradual).

A farinha de trigo sarraceno é das minhas preferidas para fazer pão, bolos, panquecas ou bolachas. Uso-a muito em conjunto com farinha de arroz integral. Gosto muito também de fazer trigo sarraceno ativado (demolhado+desidratado), que coloco nas minhas papas para dar um toque crocante, mas sobre esta técnica poderei falar num outro post. Como acompanhamento uso normalmente o trigo sarraceno para fazer risotos, em substituição do arroz.

Hoje deixo-vos uma maravilhosa ideia para dar utilidade ao trigo sarraceno:  Pãezinho de Batata Doce, Trigo Sarraceno e Alfarroba. Que vos parece? A receita é da querida Joana do Just Natural Please e eu, sendo uma grande apreciadora destes 3 ingredientes, quando a vi não pude deixar de experimentar. Mesmo bons… Fofinhos, saborosos, sentimos os pedacinhos de batata doce em cada dentada. Torrados e barrados com manteiga de amêndoa são divinais. Vamos então à receita?

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Crumble de Maçã Saudável

O Verão parece que ainda não nos quer deixar. Que bom… Não temos os dias tão longos mas o bom tempo continua. Já disse que, por mim, era Verão todo o ano, certo?

Mesmo assim, apeteceu-me um aconchegante crumble de maçã… Adoro crumble de maçã!!!! Claro que a versão original, com farinha branca, açúcar e manteiga, não passa nos meus requisitos.  Por isso tive de criar uma versão igualmente saborosa mas bem mais saudável. Curiosos? Então aqui fica a receita. Espero que gostem.

Sugestão: Este crumble faz um lanche maravilhoso, juntando iogurte, manteiga de amêndoa e romã (e as primeiras romãs do ano já começaram a aparecer!). Mas podem saboreá-lo com qualquer outro topping ao vosso gosto. Dividam logo o crumble em 4 caixas (idealmente de vidro com tampa), depois na altura é só aquecer e colocar os ingredientes extra. E já está, lanche pronto!  🙂

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Rolinhos de Beringela com Pesto de Manjericão e Tomate Seco

Este Verão fui finalmente visitar a Quinta do Arneiro. Claro que fiquei maravilhada e com vontade de largar tudo e dedicar-me a um projeto assim. Adoro a calma do campo, o cheirinho bom da natureza, o som do “quase” silêncio. A quinta é enorme, muito bem organizada, gostei imenso de conhecer cada cantinho, cada estufa, cada horta. O campo de morangos é gigante! Só me passavam pela cabeça ideias de receitas com morangos. E que morangos… Eles bem dizem que são os melhores do mundo e acho que é verdade. Claro que a visita terminou com um almoço no restaurante (que recomendo vivamente, tirei imensas ideias 🙂 ) e com uma passagem pela mercearia, de onde vim com um enorme carregamento de fruta e legumes biológicos (morangos incluídos, claro!). Vale mesmo a pena fazer uma visita a esta quinta biológica, é um passeio bem agradável para uma tarde em família.

Entrada: Pão, pastas e azeite

Sopa de coco, gengibre e cenoura

Arroz com beterraba, abóbora hokkaido, beringela grelhada e beldroegas

Crumble de pera com gelado de morango

Com os tomates que trouxe da quinta lembrei-me de fazer tomate seco, que gosto muito de juntar aos meus pratos e saladas. Mas desta vez usei-o para fazer uma entrada que ficou muito agradável: uns rolinhos de beringela (ADORO!!!) com pesto de manjericão e tomate seco (inspiração de uma receita da Mãe Guru). É uma ótima opção para servir num jantar de amigos ou quando nos apetece uma coisa simples. Mesmo bom…

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Leite Condensado Vegan

Estava em pulgas para partilhar este segredo convosco… 🙂

Devem ser poucas as pessoas que não gostam de leite condensado ou de sobremesas que contenham este ingrediente. Pois podem acreditar ou não, mas consegui inventar uma alternativa vegan, “mais ou menos” saudável para o leite condensado. Posso dizer-vos que os olhos dos meus filhos brilharam quando provaram este fantástico creme. É mesmo bom! Pode ser comido assim, simplesmente, à colher, mas também pode ser usado em bolos, recheio de tartes ou mesmo para fazer gelados.

Claro que lá porque é vegan e tem baixo teor de açúcares não é para ser comido a toda a hora (o leite de soja em pó não é propriamente o melhor alimento do mundo). Mas com moderação, tudo é permitido. E é uma boa opção para quem não consome produtos de origem animal ou é intolerante ao leite de vaca.

A preparação não tem grande ciência, basta ter um bom processador de alimentos e 5 minutos de tempo. E a magia acontece… 🙂

Ainda com dúvidas? Então têm mesmo de experimentar! Depois dizem-me o que acharam?

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