Os Benefícios da Meditação: A minha Experiência

A alimentação é muito importante para termos saúde e sermos felizes mas não é, de longe, a única coisa importante. Não conseguimos ser felizes se trabalharmos em algo que não gostamos, não conseguimos ser felizes se tivermos problemas nos nossos relacionamentos, não conseguimos ser felizes se não nos conhecermos, verdadeiramente.

É por esta última razão que considero a meditação uma ferramenta maravilhosa. É essencial para o nosso auto-conhecimento pois ao meditarmos integramos o “Eu” interior com o “Eu” exterior e passamos a usar o nosso corpo para agir de acordo com o que sentimos. Tornamo-nos mais calmos, focados, conscientes, confiantes.

A meditação plena permite-nos desenvolver a nossa espiritualidade (não confundir com religião pois nada têm a ver), porque leva ao despertar da nossa consciência e nos faz ver que existe muito mais do que o mundo físico. Como diz a Rute Caldeira no seu livro “Liberta-te de Pensamentos Tóxicos” (que eu recomendo vivamente): ” A meditação é a minha porta de ligação ao Universo”. Não podia estar mais de acordo.

Mas os benefícios da meditação vão muito além do campo pessoal e espiritual, estudos recentes têm provado que a meditação é também muito benéfica em termos físicos, nomeadamente em casos de depressão, ansiedade, stress, distúrbios alimentares ou vícios. Para além disso a meditação ajuda a melhorar a saúde das nossas células, a equilibrar hormonas, a reduzir a pressão arterial e a retardar o envelhecimento. De facto, tem-se mostrado que o cérebro se altera e desenvolve após algum tempo de prática meditativa.

Comecei a meditar diariamente por volta de Maio do ano passado. Sobretudo de início não foi fácil (ainda não o é por vezes) porque sou uma pessoa muito ativa, com a cabeça sempre a mil à hora, a transbordar de ideias. A lista das compras, os menus para o jantar, as combinações dos miúdos insistiam em não me largar… Por vezes chegava a passar todo o tempo em que meditava a pensar nessas coisas do dia-a-dia. Mas com o tempo e a prática fui interiorizando, fui aprendendo a deixar ir esses pensamento e a concentrar-me apenas em mim e no momento presente, no que estou a sentir. Porque meditar não é mais do que isso, é um exercício de foco e concentração e nada tem a ver com “não pensar absolutamente em nada”. Podemos deixar os pensamentos fluir ao mesmo tempo que estamos focados nas sensações do nosso corpo, em especial na respiração. E é nessas alturas que a meditação nos dá as respostas que precisamos, nos mostra o caminho a seguir. Posso dizer que atualmente é o momento do meu dia que mais aprecio, já não consigo passar sem ele. É o MEU momento.

Deixo algumas dicas para quem queira iniciar esta prática e ainda se sinta um pouco perdido:

– Tentar perceber a razão que está por detrás da vontade de meditar, tentando focar esse objetivo
– Estabelecer um horário e local para meditar: O ideal é ser sempre à mesma hora e no mesmo sítio, para se tornar uma rotina
– Escolher uma posição confortável: Poderá ser sentado no chão com as pernas cruzadas mas também sentado numa cadeira ou sofá, sempre com as costas direitas
– Começar por meditar durante poucos minutos e ir aumentando gradualmente. Podem ser 5 minutos de início, chegando a 20-30 minutos se possível
– Encontrar a melhor forma de meditar: Poderá ser em silêncio ou com recurso a sons, músicas ou meditações guiadas (que se encontram facilmente na internet)
– Iniciar a meditação com um exercício respiratório, como a técnica 4-7-8 (4 segundos a inspirar pelo nariz, 7 segundos a manter o ar, 8 segundo a expirar pela boca – repetir 4 vezes). Ajuda a acalmar e a desligar do mundo exterior
– Continuar a focar a consciência na respiração, que deve ser lenta e profunda, e nas sensações que ela produz. Se aparecerem pensamentos, deixá-los ir, mantendo o foco na respiração
– Durante a meditação podemos imaginar situações, podemos transportarmo-nos para um local que nos agrade, podemos fazer uma purificação imaginando feixes de luz a percorrerem os nossos centros energéticos – são muitas as opções, cada um deve escolher aquilo com que mais se identifica

Outra vertente da meditação, mais prática e menos espiritual, é o tão falado Mindfulness ou “Atenção Plena”. É ideal para as pessoas mais ativas, que não conseguem meditar em casa, paradas, pois defende que podemos meditar em qualquer sítio e em qualquer altura, quer seja no banho, no trabalho ou no trânsito, bastando para isso focarmo-nos em nós e no momento presente, deixando de pensar em coisas do passado ou fazer planos para o futuro.

Eu gosto de meditar em casa, no silêncio. Optei por fazê-lo de noite, à beira da cama, antes de ir dormir. Foi o horário que consegui compatibilizar com a minha vida. Faço-o durante o tempo que me apetece, por vezes 5 minutos, por vezes 20 minutos. Tudo depende de como me sinto nesse dia. O importante é criar uma rotina, de modo a que a meditação faça parte do nosso dia-a-dia, como comer ou tomar banho. Finalizo sempre a minha meditação com um grande sorriso e um enorme sentimento de gratidão.

Quais as diferenças que notei depois de começar a praticar? Sinto-me mais calma, aprendi a valorizar outras coisas, durmo melhor. No geral, sou mais feliz…

E esta felicidade está ao alcance de todos, por isso aconselho a experimentarem. 🙂